sábado, 10 de março de 2012

       Silencioso, ele me pede para entrar. Me bate à porta, como um aviso. Ele já está lá. Espaçoso, ele me sorri da sala. Está quente, frio. Um pavor me consome, mas seus olhos não me deixam gritar. Curioso, ele se aproxima. Me seduz com o seu calor, sua dança, seu silencio promissor. Da ultima vez em que foi embora, me levou tudo, até as cores. Só me restou o vazio.

       Sinto raiva. Quem ele pensa que é? Chega em minha casa assim, dizendo que vai ficar. Pego suas roupas e as jogo pela janela em uma tentativa frustrada de abala-lo. Em troca ele me envolve em seus braços e diz que nada posso fazer para isso mudar. Me enche o coração de antigas promessas e diz que dessa vez cumprirá. Eu o empurro e grito, mas já não sei mais o que eu quero afastar.