Presa em um pesadelo bom, aonde o amargo é doce e o frio aquece a alma. Tento, em vão, sair desse labirinto infinito em que todas as passagens me levam à mesma entrada. A minha loucura tomou o lugar da razão. Meu grito mudo ecoa em alguma parte de mim. Indo a favor do contrário, corro para algum lugar nenhum. Estou perdida. Perdida dentro de mim.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Arte de rua
Ao andar pelas ruas do Rio de Janeiro, a população convive com uma imensa diversidade cultural que esconde histórias de guerreiros brasileiros. É o caso de Luciano José da Silva, um artista que transforma latas de alumínio em miniaturas de motocicletas e aviões. Mais um brasileiro que sobrevive da arte. Ganha em média R$ 50 por semana com as vendas na Praia da Barra e sonha com o dia em que voltará para a terra natal.
Nascido na Paraíba, o morador de rua veio para o Rio de Janeiro em busca de emprego e uma nova vida. Luciano começou a trabalhar aos 11 anos de idade como limpador de mato, na cidade onde nasceu, e ganhava apenas R$ 2 por 12 horas de trabalho diário, para ajudar nas despesas de casa. Morava apenas com sua mãe, Lúcia, pois seu pai abandonou a família antes de seu nascimento. Quando tinha oito anos começou a beber e fumar cigarro, o que era algo comum a onde morava.
Há seis anos se mudou para a casa de sua irmã, Eliane, em Belfordroxo a onde trabalhou em uma transportadora de caminhão por dois meses, até a empresa falir e ficar lhe devendo o salário. Logo depois acabou se envolvendo com drogas e se tornando dependente químico. Sem um emprego fixo e dinheiro para continuar na casa da irmã, José saiu de casa e foi morar nas ruas do Flamengo.
Com o tempo começou a fazer amizade com outros moradores de rua e entrou para o mundo das artes plásticas, pois muitos de seus colegas sobrevivem da venda de artesanatos. Em pouco tempo, as latinhas de refrigerante e cerveja que antes eram lixo se transformaram em esculturas como motos e aviões de miniatura. Para tentar vender suas esculturas foi para Ipanema, pois tinha mais turistas e a venda era maior. No período em que ficou por lá, foi levado para os abrigos da prefeitura por duas vezes, sendo que na última vez seus pertences e documentos foram jogados no lixo.
Atualmente, Luciano mora na praia da Barra, entre os postos seis e sete. Muitas pessoas que passam pelo local observam, de longe, o seu trabalho. Ganhando em média R$ 50,00 por semana, o dinheiro é utilizado para a compra de fumo e comida. Suas expectativas de ser reconhecido e valorizado pelo seu trabalho são grandes, pois somente assim poderá voltar para sua cidade e dar uma nova vida para seus familiares.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Dança das palavras.
Ser. Amar. Envolver. Perda. Luta. Ganho. Dividisão. Entrega.
Choro. Riso. Pensamento. Confusão. Tempo. Muito tempo. Indecisão. Coração.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
O que será, que será?
Você me vem
Assim, de um jeito surpreendente
Com um sorriso meio torto, meio bobo, tolo
Sem saber o que falar
Com um ar de palhaça
Sem graça, sem cara
Me perco, mais uma vez
Na esperança
De um dia poder voltar.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Itinerante
Que mascaram a verdade
É por eles que mentes
A sua especialidade
É se manter racional
Deixa os fogos para o final
Espera o amanhecer
Para sumir sem dizer por quê
Vem do mesmo jeito que vai
O tal!! Como o circo
De coração a coração
Fazendo e matando o carnaval
Esconde a dor que sente com maquiagem
Bocas vermelhas de coragem
Olhos também vermelhos
Por esconder a verdade
Não fala o que sente!
Na realidade,
É covarde
Pensamentos frios que vem do coração
Que quer dar um de cérebro
Somente para abolir a razão.
Autor: Luisant Netto.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Tum tum
To assustada. Sempre que me lembro verifico se a razão ainda está presente dentro de mim, pois perde-la transformaria a minha vida em um verdadeiro caos. Um verdadeiro caos. Sabe aquelas coisas malucas que fazemos quando temos surtos de alegria? Fiz todas elas ontem. Todas. Em um surto de alegria. Não. Não crio mais expectativas. Para mim as surpresas são muito mais excitantes. E não me importo se tudo acabar, pois você me enfeitiçou e encantou em cada detalhe. Cada detalhe. O seu ultimo beijo ficou tatuado na minha pele, e espero que fique para sempre. Na minha pele. Para sempre.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
31 de fevereiro

A porta aberta está
Não me pergunte quando nem como
Por que, por que, porque não sei responder
O dia de hoje é o mesmo de ontem
E o de amanhã o mesmo de hoje
As roupas também não mudaram
Nem o tempo, nem as pessoas, nada
O que aconteceu?
Foi o vento, deve ter sido ele
Tem de ter sido
Mais não sei se vai ter jeito
Não dessa vez
É... Quem vai saber
O vento sempre sopra de volta
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Metamorfose
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Pés descalços
Cortei o cabelo, pintei o quarto, renovei o guarda roupa, mas foi tudo em vão. Não me senti renovada e muito menos transformada. No final da tarde vesti uma roupa qualquer e meu velho par de chinelos para dar uma volta na praia. Sentei na areia e vi que não era a única me sentindo confusa ali. Pessoas solitárias espalhadas aleatoriamente pela praia olhavam para o mar com a face inexpressiva, como se só o corpo delas estivesse presente naquele momento. Por incrível que pareça me senti reconfortada no meio te toda aquela solidão coletiva.
Os conflitos internos, as dúvidas, o pânico, o medo, todos eles se fizeram presentes nos meus pensamentos daquele instante. Quando se foram não me restou mais nada, a não ser aquela expressão vazia. Com os olhos fechados agarrei meus joelhos e esperei o tempo passar.
Meio sem saber como, comecei a conversar com uma voz que aos poucos foi ganhando minha confiança. “Nossas vidas vivem em constantes mudanças, mas não podemos nos perder no meio delas”, me disse ela. Após uma conversa bem sensata, disse que sempre que eu precisasse colocar a cabeça no lugar ela estaria ali para um Tête - à - Tête. Desde essa tarde, sempre que me sinto perdida tiro os sapatos e vou ao encontro dela na praia, ou melhor, ao meu encontro.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Doce ausência
Andando em círculos pelo quarto percebo a caixinha de lembranças em cima da bancada. Por um breve momento me pergunto se essa é uma boa hora para abri-la, mas quando me dou conta já está tudo espalhado pelo chão. São tantas cartas, fotos, emails, postais, presentes que fico entorpecida por alguns segundos. Como pode uma caixa guardar tantas historias?
Em seguida as recordações invadem minha mente. Os amigos de infância, as paixões, as viagens, o primeiro amor, o colégio, as brincadeiras de criança, o bolinho da vovó. Cada um deles teve sua sensação única e inexplicável, deixando marcas e formando uma parte de quem sou hoje. Um choro parece estar entalado em minha garganta, mas os meus olhos brilham intensamente e sinto um sorriso singelo em meus lábios. É a saudade que chegou para me fazer companhia, mais uma vez.
domingo, 23 de maio de 2010
Eu, meu braço quebrado e um ônibus.
Após meia hora de espera finalmente passa o ônibus 2113 consideravelmente cheio, o que é de se esperar em uma sexta feira, e essa está particularmente um caos. A estrada do Joá foi interditada devido a um acidente e dois carros enguiçaram, um na entrada e outro na saída do Túnel do Joá em direção a Barra da Tijuca. Chegar em casa hoje será mais difícil que o de costume.
Entrei no ônibus lotado e perguntei ao motorista se eu podia ficar sentada no painel do carro, ao lado dele, pois não havia lugar para sentar do outro lado da catraca e seria terrivelmente difícil me segurar nos ferros de apoio com somente uma das mãos e uma mochila pesada nas costas. Dois senhores ficaram ao meu lado conversando com o motorista que interrompeu a conversa para falar ao celular enquanto dirigia. Após alguns minutos desligou o aparelho e continuou a conversar sobre o governo brasileiro – falavam o quanto o governo era corrupto e que a situação parecia não ter mais jeito. Cerca de cinqüenta minutos depois algumas pessoas desceram e como o ônibus esvaziou um pouco passei para o outro lado. Pus minha mochila no chão e fiquei em pé me segurando na barra, pois ainda não tinha nenhum lugar vago. Algumas pessoas que estavam sentadas pararam para me analisar, olharam primeiramente o meu braço imobilizado, minhas roupas, meu rosto e depois se viraram para um lado qualquer. As que sentavam no lugar reservado para idosos, grávidas e deficientes fingiram que não me notaram e continuaram o que estavam fazendo, nada.
Minutos depois um homem de mais ou menos 40 anos, bem vestido, fez um sinal pedindo para que eu sentasse em seu lugar e veio na minha direção para me ajudar com a mochila. Agradeci aliviada e retribui seu favor colocando sua mochila em meu colo para que não carregasse peso. Sentada ali, reparei nas pessoas ao meu redor. Notei um senhor, de má aparência, sentado na escada frente à porta recostado na estrutura de ferro encarando uma jovem que estava no lugar preferencial, ela simplesmente o ignorava – não somente ela, mas todos os que estavam sentados. Uns fingiam estar dormindo, outros olhavam com desprezo e alguns pareciam estar realmente cansados, mas ninguém ofereceu lugar a esse senhor, nem a ele nem aos outros senhores que estavam em pé no ônibus.
Quando chegou o meu ponto de descida tive que espremer meu corpo por entre as pessoas - que não davam passagem e me olhavam de cara feia pela minha atitude - para conseguir chegar na porta e poder sair.Finalmente cheguei em casa, viva e com meu braço ileso – pelo menos um deles.





