Tem dias que ninguém me entende, e nem eu consigo essa proeza. Meus filmes favoritos parecem chatos, as músicas que amo não conseguem mais expressar sentimentos, meus melhores amigos parecem monótonos e o belo dia ensolarado parece ter escolhido a hora errada para aparecer. É o tipo de dia que acordo com vontade de continuar na cama, mas até dormir me deixa entediada. Olho o relógio várias vezes seguidas. Depois da décima vez consecutiva começo a pensar que estou com “toc”, mas os ponteiros insistem em não sair do lugar. Depois de um tempo o vício passa para o celular, mas ele também não toca. A caixa de e-mail não tem mensagens e no facebook nenhuma novidade. Nem as contas se lembraram de chegar pelo correio.
Andando em círculos pelo quarto percebo a caixinha de lembranças em cima da bancada. Por um breve momento me pergunto se essa é uma boa hora para abri-la, mas quando me dou conta já está tudo espalhado pelo chão. São tantas cartas, fotos, emails, postais, presentes que fico entorpecida por alguns segundos. Como pode uma caixa guardar tantas historias?
Em seguida as recordações invadem minha mente. Os amigos de infância, as paixões, as viagens, o primeiro amor, o colégio, as brincadeiras de criança, o bolinho da vovó. Cada um deles teve sua sensação única e inexplicável, deixando marcas e formando uma parte de quem sou hoje. Um choro parece estar entalado em minha garganta, mas os meus olhos brilham intensamente e sinto um sorriso singelo em meus lábios. É a saudade que chegou para me fazer companhia, mais uma vez.

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