Ela entra sorrateiramente pela porta da frente. Carrega consigo uma pequena caixa, mas dentro dela cabe toda a sensibilidade do mundo. Me faz usar uns oculos que faz o mundo ficar mais nítido ou embraçado, depende da direção que olho. É triste, engraçado e alguns segundos depois reconfortante. É intenso e confuso. Me faz chorar com um imenso sorriso nos lábios, mas não é possível definir se é bom ou ruim. É apenas assim. Fico inconstante, imprevisível. Faço as malas e posso partir para qualquer lugar, geralmente vou para dentro de mim. As vezes, apenas as vezes, saio por aí...
Quando ela chega as pessoas não me entendem e eu também não entendo as pessoas. Parece que falamos linguas desiguais e vemos cenas distintas. Sinto coisas que meus olhos não se lembraram de ver e o meu peito não fez questão de sentir.
Ela rouba minhas caras, minhas fantasias. Fico nua. Todos os medos escondidos por debaixo da roupa ficam aparentes. Os rascunhos espalhados pela pele ganham formas e sentidos. É quando abro os olhos para a minha lúcida loucura que me salva disso tudo. E então a minha janela se abre. Eu entro no mundo e ele entra em mim.
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