Depois de algum tempo senti que nada do que se fazia presente em minha vida me servia mais. Minhas crenças, meus cabelos, meus gestos, minhas atitudes, meus princípios, nada mais disso fazia parte de mim. É uma crise existencial temporária, pensei. Mas algumas semanas se passaram e esse sentimento angustiante continuou.
Cortei o cabelo, pintei o quarto, renovei o guarda roupa, mas foi tudo em vão. Não me senti renovada e muito menos transformada. No final da tarde vesti uma roupa qualquer e meu velho par de chinelos para dar uma volta na praia. Sentei na areia e vi que não era a única me sentindo confusa ali. Pessoas solitárias espalhadas aleatoriamente pela praia olhavam para o mar com a face inexpressiva, como se só o corpo delas estivesse presente naquele momento. Por incrível que pareça me senti reconfortada no meio te toda aquela solidão coletiva.
Os conflitos internos, as dúvidas, o pânico, o medo, todos eles se fizeram presentes nos meus pensamentos daquele instante. Quando se foram não me restou mais nada, a não ser aquela expressão vazia. Com os olhos fechados agarrei meus joelhos e esperei o tempo passar.
Meio sem saber como, comecei a conversar com uma voz que aos poucos foi ganhando minha confiança. “Nossas vidas vivem em constantes mudanças, mas não podemos nos perder no meio delas”, me disse ela. Após uma conversa bem sensata, disse que sempre que eu precisasse colocar a cabeça no lugar ela estaria ali para um Tête - à - Tête. Desde essa tarde, sempre que me sinto perdida tiro os sapatos e vou ao encontro dela na praia, ou melhor, ao meu encontro.

Aêeee, Camille! Garota..., parabéns!!! Escreva. Just do it.
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